Dete Lima e Negra Jhô: As homenageadas da Praça Estação da Folia
12 de Fev, 2026
A Praça Estação da Folia faz parte do hub de serviços que funciona como grande facilitador para sua vida antes da folia. Aqui você consegue fazer make, cabelo e ainda customizar o seu abadá para curtir a folia leve e tranquila.
Além disso, este ano homenageamos dois grandes nomes que fizeram e fazem parte da construção do conceito de beleza e negra e de negritude na Bahia e no Brasil.
Confira abaixo um pouco da história de cada uma delas:
NEGRA JHÔ
Valdemira Telma de Jesus Sacramento, mais conhecida como Negra Jhô, é uma artista baiana, nascida em Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, que ganhou notoriedade na arte das tranças e dos turbantes.
Como é chamado por ela mesma, o turbante é visto como uma coroa para rainhas negras, fazendo alusão à realeza africana e sendo utilizado como forma de empoderamento e valorização da beleza negra.
Conhecida por realizar seus trabalhos de tranças e pela confecção de turbantes nas ruas do Pelourinho, Negra Jhô tornou-se reconhecida nacionalmente por sua luta e pela preservação da estética e da identidade negra.
Em reconhecimento ao seu trabalho de emancipação da identidade e da estética negra no Brasil, Negra Jhô recebeu, em 2022, o título de Honoris Causa pela Ordem dos Capelães do Brasil. A honraria reconhece a multiartista como uma das responsáveis pela preservação da tradição africana na Bahia.
A artista está à frente do Instituto Kimundo, organização que mantém e preserva a cultura africana por meio de atividades que valorizam a autoestima e a beleza da mulher negra, a partir das tranças, turbantes, torços e indumentárias.
DETE LIMA
Dete Lima é uma das fundadoras e estilista do primeiro bloco afro do Brasil, o Ilê Aiyê. Há mais de 50 anos nessa função, ela afirma que sua escola sempre foi o terreiro, reforçando as raízes religiosas e culturais do bloco. Irmã de Vovô do Ilê e filha de Mãe Hilda, iyalorixá do Terreiro Jitolu, a família foi fundamental para a criação e consolidação do bloco como um todo.
Dete conta que sua relação com a moda começou ainda na infância, nas brincadeiras vividas no terreiro. Já a militância teve início em casa, incentivada por sua mãe, grande defensora do discurso de negritude e da valorização da identidade negra entre os filhos.
Desde a criação da Noite da Beleza Negra, há mais de 40 anos, Dete também assume a responsabilidade de produzir os icônicos turbantes das candidatas ao título de Deusa do Ébano, escolhidas para representar o bloco nos desfiles durante o período do Carnaval.
O concurso, reconhecido nacionalmente como um importante mecanismo de reafirmação da negritude e de empoderamento da beleza das mulheres negras, tornou-se uma das principais datas do calendário pré-carnavalesco da cidade.
A estilista já foi destaque na revista de moda Vogue, desfilou no SPFW, produziu diversas personalidades nacionais e internacionais e carrega o mérito de um trabalho comprometido com a construção da identidade e o fortalecimento da autoestima das mulheres negras.